Durante muito tempo, o crescimento do luxo foi empurrado pelo consumidor aspiracional

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Ricardo Piochi Fundador da Folhetim e da Bossa
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Durante muito tempo, o crescimento do luxo foi empurrado pelo consumidor aspiracional.

Marcas cresceram abrindo portas, ampliando linhas de entrada e aumentando presença.

Funcionou. Até parar de funcionar.

O relatório da BCG com a Altagamma mostra algo que o mercado já sente no caixa: uma parte relevante do consumidor aspiracional reduziu ou interrompeu o consumo de luxo. Não por rejeição, mas por reordenar prioridades.

E quais são essas novas prioridades?

Mais gasto com saúde e performance, treino, longevidade.

Mais gasto com casa, conforto, bem-estar doméstico.

Mais gasto com viagens, mas com menos exposição e mais critério.

Mais interesse em investimento, segurança e patrimônio.

E, em alguns casos, mais presença no mercado secundário, para comprar melhor, e com menos fricção.

O dinheiro não sumiu. Mudou de lugar.

Quem sentiu primeiro foram as marcas que estruturaram o negócio em cima desse público.

Gucci é o exemplo mais evidente.

A marca cresceu rápido demais apoiada em logo forte, produto reconhecível à distância e alto giro aspiracional. Quando esse público recuou, sobrou estoque, desconto, e uma crise de identidade que ainda está tentando ser corrigida.

Balenciaga enfrentou algo parecido.

Crescimento acelerado, hype, alta exposição cultural. Quando o desejo deixou de ser consenso e o aspiracional saiu de cena, a marca precisou frear, reorganizar discurso e reduzir ruído.

Na relojoaria, o movimento foi menos evidente, mas igualmente claro.

Marcas que inflaram produção nos últimos anos viram o mercado secundário corrigir, preços caírem e aura enfraquecer. Quem comprava para “entrar no jogo” sai primeiro.

Enquanto isso, casas que nunca dependeram do aspiracional sofreram menos.

Hermès é o caso mais citado, mas o raciocínio vale para outras marcas que protegeram escassez real, cadência e relacionamento com o topo. O aspiracional existe ali, mas não dita o ritmo. Ele espera. Observa. Deseja.

A inteligência não é demonizar o aspiracional.

Ele foi relevante e continuará sendo. Ainda é parte do ecossistema.

O problema começa quando ele vira pilar financeiro.

O topo da pirâmide segue consumindo. O que entrou em crise foi o modelo que precisa de volume aspiracional para sustentar crescimento, margem e percepção.

Isso obriga marcas a responderem perguntas incômodas:

quem sustenta o negócio quando o aspiracional recua, quem a marca está treinando para desejar, e quem, de fato, ela está servindo bem.

Democratizar foi uma escolha estratégica.

Voltar a ser seletivo será outra.

Sou Ricardo Piochi. Construo marcas desejadas e inevitáveis para a próxima era, a partir das estratégias do luxo.

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