O luxo não acabou

RP
Ricardo Piochi Fundador da Folhetim e da Bossa
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O luxo não acabou.

Só ficou entediado com o próprio reflexo.

Durante quase uma década, tudo o que representava status disparou de valor:

relógios, carros clássicos, vinhos raros, obras de arte.

Mas, de 2023 pra cá, algo mudou.

O Luxury Investment Index da Knight Frank caiu 6%.

Os Bordeaux de primeira linha desvalorizaram 20%.

Até os Rolex usados perderam quase 30% do valor.

O luxo tangível está em declínio.

Mas o desejo não.

Ele só mudou de forma.

Os ultrarricos estão trocando o que se guarda pelo que se vive.

Em vez de relógios, buscam acesso.

Em vez de vinhos raros, querem mesas que ninguém mais consegue reservar.

O dinheiro migrou dos cofres para as experiências.

Agora, o dinheiro dos ultrarricos vai para outro tipo de ativo: tempo e acesso.

Hotéis como o Le Bristol, em Paris, dobraram de preço desde 2019.

Ingressos para o Super Bowl, Wimbledon e o Met Gala nunca foram tão caros.

Porque, ao contrário de um relógio, uma noite exclusiva não se revende.

Porque o que é raro hoje não é o objeto, é o tempo.

O acesso.

O silêncio.

O novo luxo é a experiência que não se repete:

um jantar impossível, uma viagem com sentido, um evento que ninguém filma porque não há sinal de celular.

A disputa de agora não é por posse, é por presença.

E o produto mais valioso do mundo é o que não dá pra revender.

Porque o luxo do futuro não estará nas coisas que brilham,

mas nas que escapam.

#Branding #Luxo #Comportamento #Experiência

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