Ford perdeu US$ 4,7 bilhões só na divisão de elétricos em 2023, o maior prejuízo desde a recessão

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Ricardo Piochi Fundador da Folhetim e da Bossa
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Ford perdeu US$ 4,7 bilhões só na divisão de elétricos em 2023, o maior prejuízo desde a recessão.

A Honda anunciou perdas equivalentes a R$ 27 bilhões com a reavaliação da sua estratégia global de EVs.

E, pela primeira vez, a Ford foi ultrapassada pela BYD em vendas globais.

Não é pouco dinheiro.

E talvez o problema não esteja no carro elétrico em si.

Está na percepção do consumidor.

Nos EUA e na China, a rede de carregamento finalmente chegou a um nível aceitável.

Você sai de casa sem fazer conta mental de autonomia.

No Brasil e em grande parte do mundo, a história é outra.

País continental, infraestrutura incipiente, pouca política pública coordenada.

E montadoras ainda tímidas na construção do ecossistema.

A desconfiança do consumidor gira em torno de dois pontos muito claros:

1. A bateria vai dar problema?

Isso se resolve com garantia longa, comunicação clara e histórico de confiabilidade.

2. Onde eu carrego?

Esse é estrutural.

Depende de investimento privado, incentivo público e visão de longo prazo.

Enquanto isso, as fabricantes colocam bilhões em P&D, lançam modelos cheios de tela, conectividade, modos de condução futuristas…

mas deixam a principal dor sem resposta.

A eletrificação é inevitável.

Mas o timing de adoção não é ditado por tecnologia.

É ditado por segurança percebida.

Mais um exemplo clássico de mercado:

não adianta empurrar inovação se o básico ainda gera insegurança.

O consumidor não compra potência ou software.

Ele compra tranquilidade.

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