A Europa quer o consumidor de luxo do Brasil.
(Sim, o mesmo cliente que ela tratou como turista de outlet por trinta anos.)

No começo do mês, tivemos a maior ILTM já realizada em São Paulo. 550 expositores, 20% mais que em 2025. Coreia, Itália, Japão, Suíça, Bahamas, todo mundo na fila pra falar com 550 agentes de viagem latino-americanos.

O que no papel era para ser uma expo sobre destinos turísticos do mundo, se transformou em um leilão pela carteira de alto valor dos agentes e agências de viagem.

Os números do trimestre explicam o aperto.

A Preferred, rede com 625 hotéis independentes no mundo, fechou o primeiro quadrimestre com +43% em receita de brasileiros no exterior. Itália, Espanha e Portugal lideram. No ano passado, esse mesmo número foi +15%.

A Bvlgari (joint venture Marriott + LVMH) anunciou que o brasileiro virou o terceiro maior emissor da rede em 2025. Para uma rede de luxo com unidades em Tóquio, Dubai, Milão, Pequim, ter o brasileiro no top três muda a estratégia global de atração.

Na Suíça, brasileiros aumentaram 6,6% os pernoites em hotéis alpinos no ano passado. A média global foi 2,6%. É so ver como St. Moritz cresceu no feed...

Pela Bain, de 25 para 26, perdemos 70 milhões de clientes ativos de bens de luxo (de 400 -> 330). A hospitalidade cresceu 6% ao ano, 2% acima do setor de viagens em geral.
Sobrou quarto, e a indústria foi caçar onde sobrou desejo.

Os americanos e clientes do Oriente Médio ficaram nervosos com a geopolítica do próprio quintal. A criação de riqueza na América Latina acelerou, e o brasileiro de alto valor consome o hotel inteiro: concierge, spa, restaurante do momento, bar antes do jantar, lojas, bar depois do jantar.

Não existe hóspede mais lucrativo.

E tem o hábitos brasileiros que o europeu ainda precisa aprender.

O avô brasileiro liga na agência e compra dez quartos pra família. Filhos, genros, noras, netos. A planilha europeia chama isso de grupo, mas é uma família esperando quinze experiências personalizadas, uma por hóspede, dentro da mesma viagem.

Por décadas, a Europa vendeu sonho pro Brasil. Agora precisa que o brasileiro compre o dela.
É a virada cultural que, além de tudo, vai sustentar o crescimento da hotelaria de luxo nos próximos anos.

A próxima alta temporada vai mostrar quem leu o mercado e quem continuou desenhando produto pro americano.

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Sou Ricardo Piochi, sócio da Folhetim e da Bossa.
Na Folhetim, geramos desejo pelas marcas premium e de luxo no consumidor brasileiro de alto valor.
Na Bossa, transformamos marcas em objetos de desejo do topo do mercado.