A marca que ensinou o Brasil a voar barato acaba de lançar sua classe executiva.
E tem muito mais nessa história do que só melhorar a percepção de marca.

A Gol nasceu em 2000 cobrando metade do preço e servindo barrinha de cereal no lugar do sanduíche. Em julho, abre voo direto Rio-Paris com menu assinado pelo chef Felipe Bronze em três etapas, assento full flat e um nova promessa de serviço.

Sua executiva se chama Insignia, criada para o conforto de quem antes viajava nos 737s que pareciam ônibus.

O Smiles ganhou uma categoria nova chamada Magno acima da Diamante, para conquistar o frequent flyer.

E o Galeão virou hub intercontinental com voos pra Nova York, Paris, Lisboa e Orlando.

Três movimentos simultâneos em seis meses.

A explicação é financeira antes de ser estética.

Em rotas intercontinentais, a cabine premium costuma ocupar 15% dos assentos e responder por até metade da receita do voo. Em rotas de mais de dez horas, chega a 70%. A JetBlue calcula que bastam 24 passageiros de executiva no produto Mint pra cobrir o custo operacional de uma travessia do Atlântico inteira.

Volume virou commodity. Margem virou prioridade.

Quem voa de econômica pra Orlando paga uma passagem, quem voa de executiva pra Lisboa paga cinco.

A Gol saiu do Chapter 11 mais enxuta, virou parte do grupo Abra ao lado da Avianca e mudou a meta da operação internacional (17% em 2025 -> 25% até 2029).

A categoria forçou a virada. Sem cabine executiva, a conta de uma rota intercontinental simplesmente não fecha mais.

É a virada estrutural do mercado aéreo brasileiro que, além de tudo, vai ditar como Latam, Azul e qualquer entrante futura vão precisar redesenhar o portfólio nos próximos cinco anos.

Premiumizar uma marca pede mais do que trocar a tipografia. Pede remontar a operação inteira atrás de um cliente que paga mais.

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Sou Ricardo Piochi, sócio da Folhetim e da Bossa.
Na Folhetim, geramos desejo pelas marcas premium e de luxo no consumidor brasileiro de alto valor.
Na Bossa, criamos estratégias de premiunização para marcas que querem faturar mais.