Esse tênis sai da fábrica riscado, com uma das pontas da estrela encurtada de propósito, e custa a partir de R$ 4,1 mil.

A Golden Goose abriu a quinta loja no Brasil, no Mata São Paulo, dentro do Complexo Cidade Matarazzo. A diferença para as outras quatro (Iguatemi, JK, Pátio Batel e a pop up do Village Mall) é que essa tem sapataria funcionando lá dentro: você escolhe como o par vai ser feito e depois volta pra consertar o mesmo par pelo resto da vida.

A marca nasceu em dezembro de 2000, numa garagem em Marghera, o porto industrial de Veneza. Francesca Rinaldo e Alessandro Gallo tinham vinte e poucos anos, não vinham da moda, vinham do skate, e copiaram o desgaste do tênis de skatista da Califórnia.

Em 2007 lançaram o Super-Star. Em 2018 a internet caiu em cima deles por vender um par remendado com fita adesiva a US$ 530, e chamaram aquilo de apropriação da pobreza. A briga só provou o que interessa: o desgaste já tinha dono.

Agora olha a conta. Receita de €734 milhões em 2025, 15% acima do ano anterior, com 81% vindo de venda direta ao consumidor em 232 lojas próprias, e margem de EBITDA em 34%.
Isso é margem de casa de luxo, num tênis.

Em 2022 eles compraram a própria fornecedora, a Italian Fashion Team, então o artesanato que sustenta o preço virou patrimônio da casa.

E tem o pedaço que quase ninguém copia. Em 2024 a marca voltou pra garagem de Marghera e abriu o endereço ao público, com arquivo, biblioteca e oficina; na Bienal de Arquitetura de 2025 entregou o espaço pro Marco Brambilla montar uma exposição; em setembro passado abriu em Milão uma arena de padel com quadra profissional, placar de LED e champanhe pra comemorar vitória.

Silvio Campara, o CEO, chama isso de craftainment e quer a marca operando como empresa de entretenimento.

O Bank of America decretou este ano que o ciclo de 20 anos do tênis acabou e que daqui pra frente o mercado cresce 4% ou 5%.
A Golden Goose cresceu 10% no primeiro trimestre, foi comprada por €2,5 bilhões em dezembro e segue abrindo loja.
Quem constrói comunidade antes de construir distribuição joga em outro mercado, e é esse mercado que, além de tudo, continua pagando margem de 34%.

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Sou Ricardo Piochi, sócio da Folhetim e da Bossa.
Na Folhetim, geramos desejo pelas marcas premium e de luxo no consumidor brasileiro de alto valor.
Na Bossa, transformamos marcas em objetos de desejo do topo do mercado.