A Globo publicou um estudo de 3.780 palavras sobre a Classe A e não colocou nele um único número de TV aberta.
(O capítulo se chama Consumo de mídia. Sério.)
O estudo saiu no começo do mês, feito pela Inteligência de Negócios da Globo com a PiniOn, e mapeia os 4,4% da população que movimentam R$ 1,2 trilhão por ano.
Quando chega no capítulo de mídia, o que aparece é a casa: Smart TV em 68% dos lares, notebook em 66%, fibra em 62%, streaming em 60%.
A televisão lidera a lista como aparelho, e a programação não aparece em lugar nenhum. Sala de TV dedicada, que era o símbolo da casa de classe A dos anos 90, ficou em 22%.
O único número de TV do estudo não saiu do estudo. Pra ter um, a Globo foi buscar no Brasil TGI: 31% assistiram os canais de TV paga dela em uma semana. Ao lado, ela destaca a afinidade, 234, que diz que o rico assiste mais que a média do país e não muda o tamanho do público.
O que sobrou de coletivo é o esporte. 9 em cada 10 assistem alguma competição, e esse é o maior número do capítulo inteiro.
Futebol masculino em 53%, e daí despenca direto pra vôlei em 28%, automobilismo e luta em 21%.
É o último compromisso marcado que ainda junta essa gente na mesma hora.
Na hora de descobrir marca, a resposta é o telefone: pra 49% da Classe A, a rede social é a principal fonte de lançamento. E a própria Globo escreve, com todas as letras, que a TV constrói alcance e a internet transforma interesse em intenção de compra.
Alguém vai dizer que é recorte, que a Globo mede audiência de TV em outro lugar. Mede mesmo.
Mas quando ela montou o documento pra vender esse público ao anunciante, escolheu o que mostrar. E a TV aberta ficou de fora. Nem no esporte, o melhor número da casa, ela aparece nomeada.
É o tipo de silêncio que vale mais que gráfico, porque quem escolheu o que mostrar foi justamente quem tinha o maior interesse do mercado em mostrar televisão.
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Sou Ricardo Piochi, sócio da Folhetim e da Bossa.
Na Agência Folhetim, geramos desejo pelas marcas premium e de luxo no consumidor brasileiro de alto valor.
Na bossa Consultoria, transformamos marcas em objetos de desejo do topo do mercado.