Todo mundo quer trabalhar em marcas de luxo.
Quase ninguém sabe como é por dentro.

Depois de mais de dez anos atendendo as maisons no Brasil, junto com a Folhetim, dá pra contar o que os descritivos de vaga não dizem.

O glamour que todo mundo imagina é quase todo do cliente. Quem assina o contrato vive outra coisa.

Começa pelo salário: as marcas pagam em par com o mercado, às vezes abaixo. Do analista ao country manager, é salário e bônus, nada de múltiplos do mercado financeiro.

A liberdade criativa é a primeira ilusão a cair. Boa parte do trabalho é replicar a estratégia da casa, e o projeto que você quer inventar sobe a cadeia inteira, do analista júnior ao escritório em Paris ou Milão.

Quase tudo é PR e ativação pra gerar desejo. Existe verba de mídia, mas é bem menor do que se imagina: tem veículo top que cede espaço de graça pra marca de desejo, só pra atrair os outros anunciantes.

E o Brasil quase nunca tem a palavra. Instagram local, campanha local? Raríssimo. Diante da operação global, a gente está longe da fila da frente, e isso trava o trabalho todo dia.

Tem o zelo obsessivo com o detalhe, que vem de todos os lados e cansa (e ainda bem, são marcas que valem exatamente por isso).

No fim do mês, todo mundo no luxo é pagador de boleto. A diferença é que faz isso de um cashmere mais confortável, comprado com um bom desconto, que ainda assim pesa no bolso.

Então por que vale a pena?

Pelos perks que aparecem de vez em quando: Milão, Paris, um ingresso pra Roland Garros, a "dor" de levar um cliente VIC pra conhecer a fábrica ou um desfile em algum lugar incrível. E porque uma Hermès, uma Chanel ou uma Vuitton no currículo é a moeda que não cai na conta no fim do mês, mas abre porta pela carreira inteira.

É um mercado pequeno, exigente e apaixonante.

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Sou Ricardo Piochi, sócio da Folhetim e da Bossa.
Na Folhetim, geramos desejo pelas marcas premium e de luxo no consumidor brasileiro de alto valor.
Na Bossa, transformamos marcas em objetos de desejo do topo do mercado.